Justiça

Lobista do Master frauda fundos de pensão há pelo menos 10 anos, diz PF

Ricardo Siqueira Rodrigues, o Ricardo Gordo – Imagem: Reprodução

O empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo, que trabalhou para o Banco Master, usa o mesmo método para desviar recursos de fundos de pensão há pelo menos uma década, diz a Polícia Federal.

Apesar de já ter delatado o método usado para desviar dinheiro dos RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social), ele continuou na atividade, aponta a PF.

O papel do lobista aparece no pedido da PF que embasou a 8ª fase da Operação Compliance Zero, que resultou em buscas contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro e contra o próprio Ricardo Gordo.

Ricardo Gordo é apontado como o “articulador, captador e lobista” que viabilizou a aplicação de R$ 3 bilhões do RioPrevidência —fundo que paga aposentadorias de servidores do Rio em papéis do Banco Master.

A PF afirma que a captação feita por Ricardo Gordo para o Master “segue o mesmo modus operandi dos esquemas investigados nas operações em que ele foi alvo”, referindo-se a pelo menos quatro investigações anteriores.

Ele detalhou em depoimento na Operação Encilhamento como articulou, em 2016, o pagamento de R$ 1 milhão em comissões a Renato de Matteo, consultor contratado por institutos de previdência para direcionar investimentos.

“É comum essa prática entre as consultorias de receber para aprovar fundos e todas, sem exceção, têm essa relação promíscua (com os RPPS)”, disse o delator no depoimento à Polícia Federal.

No relatório da CPMI dos Correios, de 2006, Ricardo já aparecia como um dos que “contribuíram para promover desvios de recursos das referidas entidades de previdência complementar”.

Ricardo foi preso preventivamente na Operação Rizoma, desdobramento da Lava Jato deflagrado em 2018, suspeito de operar um esquema que gerou déficits no Postalis, fundo dos Correios, e no Serpros, fundo do Serpro.

Posteriormente, fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, com multa de R$ 33 milhões.

A Operação Circus Maximus apurou pagamento de vantagens a diretores do BRB (Banco de Brasília) para viabilizar aportes em empreendimentos hoteleiros no Rio. O hotel levaria a marca Trump.

Ricardo Gordo foi denunciado em 2019 por organização criminosa, corrupção ativa, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O processo está em andamento.

Em dezembro de 2024, a Comissão de Valores Mobiliários condenou Ricardo a pagar R$ 53,3 milhões por operação fraudulenta ligada ao hotel.

Mensagens de Ricardo Siqueira mostram que ele recebeu R$ 41,9 milhões do Master para atuar como captador em regimes de previdência. As tratativas começaram em 2023, quando o banco buscava captar recursos.

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