Política

Debate na Globo entre Flávio e Lula

Flávio e Lula durante debate da Globo – Foto: Divulgação/Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram nesta sexta-feira, 23, do debate presidencial na TV Globo, último antes da votação do segundo turno no próximo domingo, 25. O encontro começou por volta das 21h40 e terminou quase à meia-noite.

Durante os três primeiros blocos, Lula e Flávio Bolsonaro detalharam uma série de propostas envolvendo saúde, educação, segurança pública, custo de vida e contas públicas — temas predefinidos pela produção da Globo.

Já na rodada final, em que cada candidato teve oito minutos para trocar perguntas sobre temas livres, o debate foi dominado por trocas de acusações pautadas em escândalos de corrupção.

Sem restrições sobre o tópico da discussão, os presidenciáveis se mostraram mais combativos e trouxeram à mesa ataques envolvendo Daniel Vorcaro, as fraudes no INSS, a ilha no Rio de Janeiro disputada entre Willer Tomaz e Richarlison e até o sítio em Atibaia (SP) que foi ponto central na Operação Lava Jato

Disputa pela compra de uma Ilha pelo jogador Richarlison

A disputa pela compra de uma ilha em Angra dos Reis (RJ), que tem como personagem central o atacante Richarlison, foi um dos assuntos abordados durante o debate entre os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No bloco de tema livre, promovido pela TV Globo, na noite desta sexta-feira, 23, o presidente questionou o oponente sobre o envolvimento dele no caso.

“Essa semana eu vi um jogador famoso, chamado Richarlison, da Seleção Brasileira, conhecido porque comemorava os gols como se fosse um pombo, e depois ficou muito conhecido na rede digital como o pai do bebê. Esse pai do bebê faz uma denúncia de que o meu adversário e o advogado dele tomaram a ilha dele. Ele tinha pago R$ 10 milhões”, começa Lula.

O amigo ao qual o presidente se refere é Willer Tomaz, advogado e empresário amigo de Flávio, investigado por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz.

Lula afirma que Willer conseguiu em uma semana o título de propriedade Secretaria do Patrimônio da União (SPU), com um suposto diretor que seria amigo de Flávio. “Eu queria que me explicasse, como vocês tomaram a ilha do Richarlison?”, questiona o petista. 

Em seguida, Flávio responde que a Justiça já investigação e que a ação transitou em julgado, portanto, tem decisão definitiva. “Essa ilha nunca foi do Richarlison”, diz. O senador também retruca Lula, afirmando que Willer é só seu amigo e não sócio. 

O chefe de Estado, então, questiona mais uma vez: “Eu quero que você responda como é que uma pessoa consegue em uma semana [enquanto] a outra está esperando um ano, sem ser comunicado, que o outro tomou o terreno dele?”.

Nesse momento, Flávio declara que jorgador foi enganado.  “Richarlison, com todo o respeito craque, você está tomando volta do seu empresário. Parece que você comprou a sua ilha de um invasor de terras, do MST. Infelizmente essa ação já transitou em julgado e você não tem direito. A Justiça decidiu e eu não tenho nada a ver com isso”.

O candidato do PL é questionado mais uma vez por Lula, e novamente responde que “não tem nada a ver com isso”. 

Entenda o caso

O atacante Richarlison, do Tottenham, acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz de envolvimento em uma disputa pela posse de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e não ter recuperado o dinheiro.

Richarlison explica polêmica envolvendo ilha em Angra dos Reis e cobra Flávio Bolsonaro

Segundo Richarlison, Flávio demonstrou interesse em comprar a propriedade, mas teve a proposta recusada. A posse do imóvel foi posteriormente transferida a uma empresa ligada a Willer Tomaz, amigo do senador, por decisão judicial.

Flávio nega envolvimento na negociação. Tomaz também contesta as acusações e afirma ter pago R$ 3,6 milhões pela propriedade, incluindo a quitação de dívidas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter solicitado uma investigação à Polícia Federal (PF). A corporação informou que incluirá o caso em um inquérito sobre as relações entre Flávio e Tomaz.

Entenda as ligações entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL) é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência. A investigação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro dizem publicamente que são amigos

Foto: Reprodução/X

Segundo a Polícia Federal (PF), foram identificados registros de viagens, reuniões e movimentações financeiras que ligam os dois. Flávio também aparecia como usuário com acesso privilegiado a uma conta bancária da empresa Alcazar Holding, ligada ao advogado. A PF apura ainda a suspeita de que o senador fosse sócio oculto de uma casa de apostas.

Willer também é investigado por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Flávio não é investigado nesse caso.

O senador confirma a amizade com o advogado, mas nega irregularidades. Ele afirma que não manteve conta bancária compartilhada com Tomaz e considera infundadas as suspeitas levantadas a partir da relação entre os dois.

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