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Brasil escolhe hoje entre o retorno do Bolsonarismo ou o 4º mandato de Lula

Foto: IA/Montagem Portal AM1

Mais de 158 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar decidem hoje entre o retorno de um integrante da família Bolsonaro ao poder e mais quatro anos de mandato para Lula. Após uma campanha extremamente polarizada, marcada pelo alto índice de rejeição aos dois candidatos, o Brasil escolhe hoje seu 40º presidente em uma eleição que pode ser a mais apertada da história. A votação acontecerá das 8h às 17h (horário de Brasília).

As pesquisas Quaest e Datafolha divulgadas nesse sábado (24) apontam o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —no primeiro turno, o parlamentar carioca avançou com 47% ante 45% do petista. Em 2022, eleição presidencial mais apertada até hoje, Lula derrotou Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno por 50,9% a 49,1%, uma diferença de apenas 2,1 milhões de votos.

Neste domingo, Flávio e Lula disputam cerca de 49 milhões de votos, considerando 9,3 milhões de eleitores que votaram nos outros candidatos do primeiro turno e 33,4 milhões que não foram votar, provocando uma abstenção recorde de 21,07%.


Retorno dos Bolsonaros

Com 45 anos, Flávio é o filho mais velho de Bolsonaro e repetiu ao longo da campanha que, se vencer a eleição, concederá indulto ou graça presidencial a seu pai, que está em prisão domiciliar após ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado, para que ele suba a rampa do Palácio do Planalto ao seu lado na posse, marcada para o dia 5 de janeiro de 2027. Em sabatina, Flávio não descartou dar um cargo ao pai caso seja eleito hoje.

Desacreditado por algumas lideranças da própria direita e do centrão quando foi escolhido por Bolsonaro para representá-lo nas urnas, no fim de 2025, Flávio se consolidou como principal oponente de Lula ao longo deste ano se apresentando como um bolsonarista mais moderado do que o pai e os irmãos, um discurso de endurecimento da política de segurança pública, como redução da maioridade penal e castração química a estupradores, e explorando os aumentos do custo de vida e de endividamento das famílias nos últimos anos.

Ao longo da campanha, Flávio conseguiu minimizar os impactos das acusações de envolvimento no escândalo do Banco Master, após a revelação de que havia pedido —e obtido— um financiamento milionário do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai, e de lavagem de dinheiro junto com o advogado Willer Tomaz, de quem é amigo e suposto sócio, o que ele nega. Nos dois casos o senador é alvo de investigação em inquéritos da PF que tramitam no Supremo.

No primeiro turno, o PL de Flávio Bolsonaro elegeu as maiores bancadas na Câmara dos Deputados (121 parlamentares) e no Senado (19 eleitos e 28 senadores ao todo). Com as adesões de cinco partidos e federações no segundo turno, o senador pode formar uma ampla base de apoio para aprovar projetos do seu interesse em um eventual governo. Essa pretensa governabilidade também foi usada como trunfo eleitoral no embate contra Lula.

Quarto mandato de Lula

Aos 80 anos, o presidente Lula explorou ao longo da campanha a experiência de três governos, indicadores positivos de emprego, e um vasto pacote de bondades no período eleitoral, como reajuste no Bolsa Família, perdão de dívidas para MEIs e proibição das bets, em busca da reeleição. Caso vença hoje, o petista chegará ao quarto mandato presidencial, o que pode levá-lo a comandar o país por 16 anos —ele ficaria apenas atrás de Getúlio Vargas, que acumulou 18 anos na Presidência da República.

Nas dez eleições presidenciais disputadas desde a redemocratização, Lula foi (ou tentou se apresentar, quando estava preso, em 2018) como candidato em oito delas. Por causa da idade, ele mesmo diz que essa será sua última disputa ao Palácio do Planalto. Como companheiro de chapa, tem novamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) —o vice de Flávio é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).

Durante a campanha, Lula viu a crise no STF provocada pelo envolvimento do ministro Alexandre de Moraes no caso Master contaminar a disputa em favor de Flávio Bolsonaro e sofreu desgaste com as suspeitas de tráfico de influência e enriquecimento ilícito envolvendo seu filho mais velho, Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. Amiga de Lulinha, ela começou a atacar o presidente na reta final da eleição após ser chamada de “pilantra” por ele.

Depois da frustração de virar o primeiro turno atrás de Flávio, resultado que contrariou a maior parte das pesquisas, a equipe de Lula engatou uma forte campanha digital, liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com mais de 10 milhões de seguidores, e mobilizou manifestações de rua em várias regiões do país. O alto engajamento ajudou o petista a reduzir a diferença de Flávio nas pesquisas e alimentou a esperança de uma virada que seria inédita nas eleições presidenciais.

Que horas começa a votação?

O segundo turno está marcado para acontecer das 8h às 17h no horário de Brasília para escolher o presidente da República e o governador de seis unidades da federação: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Tocantins.

O fechamento das urnas, no entanto, pode ser estendido caso haja filas nas seções eleitorais mesmo após a hora de fechamento oficial. Nesse caso, são distribuídas senhas e a seção continua até que a última pessoa que chegou ao local de votação dentro do horário possa votar.

A votação segue as mesmas regras do primeiro turno, com apresentação de documento oficial com foto ou do e-Título com fotografia. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informa que a biometria não é obrigatória.

Quem não votou no primeiro turno das Eleições 2026 pode participar do segundo turno normalmente, desde que esteja com a situação eleitoral regular. A ausência em apenas uma etapa não bloqueia o voto na seguinte, mas o eleitor precisa regularizar a falta com justificativa ou pagamento de multa para não ficar irregular.

A apuração começa após o encerramento da votação, às 17h. Vence quem receber mais da metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos.



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