Ibaneis Rocha deixa o governo do DF para concorrer ao Senado

Ibaneis Rocha assina renúncia em evento na cidade de Ceilândia (DF) – Imagem: Joel Rodrigues/Agência Brasília
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), se despediu do cargo neste sábado (28), e disse que pretende disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. O anúncio aconteceu durante uma solenidade no Palácio do Buriti.
Formalização da renúncia ocorreu em uma “costelada” na Praça da Bíblia —evento que marcou o último ato de Ibaneis à frente do governo. A assinatura ocorreu durante a programação pelos 55 anos da cidade, considerada a maior da região administrativa do Distrito Federal.
Neste sábado, ele também assinou a renúncia, mas Ibaneis deixa o cargo oficialmente na segunda (30) após cerimônia de transferência do comando do Poder Executivo para Celina Leão (PP), atual vice-governadora e pré-candidata ao GDF. Questionado sobre a candidatura ao Senado, o governador afirmou apenas que “pretende” concorrer.
O afastamento atende à regra da desincompatibilização eleitoral, exigida para quem ocupa cargo público e pretende concorrer a um mandato eletivo.
Ele deve concorrer ao Senado nas eleições de outubro deste ano. Durante o discurso no aniversário de Ceilândia, Ibaneis disse que, durante os sete anos e três meses de governo, fez “realizações firmes em todas as áreas de governo”. Em janeiro, ele chegou a reafirmar a pré-candidatura ao Senado após terem circulado informações de que ele teria desistido da disputa.
Com o ato, Ibaneis encerra uma passagem de mais de sete anos pelo comando do DF. O período começou de forma improvável, passou por oscilações políticas e termina em meio a uma das principais crises do político: a malsucedida tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.
Recentemente, Ibaneis Rocha tentou minimizar a reunião que teve com Daniel Vorcaro, empresário preso suspeito de orquestrar a fraude bilionária no Banco Master. O governador do DF disse, no início de março, que estava “totalmente limpo” ao comentar sobre as investigações envolvendo o BRB (Banco de Brasília) e o Banco Master. Na avaliação dele, os pedidos de impeachment apresentados pela oposição são parte do trabalho “extremamente democrático”.
Vorcaro afirmou em depoimento à Polícia Federal ter tratado pessoalmente com Ibaneis sobre a venda do Master ao banco estatal. Segundo o governador, o banqueiro é uma figura conhecida no meio empresarial e mantém interlocução com agentes públicos. “A gente sabe que todos esses empresários têm relacionamentos com políticos”, afirmou à imprensa durante a inauguração do Na Hora Empresarial, em Brasília.
Câmara do DF arquivou pedidos de impeachment contra Ibaneis por caso Master. O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wellington Luiz (MDB), arquivou três pedidos de impeachment apresentados contra o governador. O presidente informou que acolheu pareceres da Procuradoria-Geral da Casa favoráveis ao arquivamento das denúncias.
Representações por impeachment foram protocoladas no fim de janeiro por PSB, PSOL, PDT e Cidadania. Elas tinham como base o escândalo envolvendo o Banco Master. Os requerimentos questionavam a tentativa do Banco Regional de Brasília de adquirir a instituição financeira. A operação foi barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado.
Quem é Ibaneis Rocha?
Advogado vindo de Corrente (PI) sem carreira política prévia e filiado ao MDB, Ibaneis Rocha foi elkeito Governador do DF em 2018 como um azarão.
Pegou carona na ‘onda de renovação’ que marcou aquela eleição, com discurso antipolítica e críticas à classe tradicional do poder local.
Em 2022, Ibaneis foi reeleito em primeiro turno, com ampla vantagem sobre os adversários e reforçou sua influência na Câmara Legislativa, onde passou a ter uma base ampla.
Poucos dias depois, no entanto, os atos goklpistas de 8 de janeiro jogaram um balde água fria nessa vitória, deixando marcas na gestão Ibaneis.
A Câmara Legislativa do DF instalaou uma CPI para investigar os atos, ampliando o desgaste de Ibaneis Rocha.
Embora o governador não tenha sido diretamente responsabilizado nos relatórios finais, o processo expôs fragilidades administrativas e erros de planejamento.




