Caso Henry Borel: estratégia das defesas será criar o caos, diz promotor

Henry Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março de 2021, no Rio de Janeiro – Imagem: Arquivo pessoal
O julgamento do caso Henry Borel começa amanhã, no Rio de Janeiro. A mãe do menino, Monique Medeiros da Costa, e o ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho, então padrasto da criança, são réus no caso, negam as acusações e apresentarão versões divergentes durante os debates no tribunal.
A Promotoria afirma ter certeza de que o ex-vereador e a mãe cometeram os crimes. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, o promotor Fabio Vieira disse que a estratégia das defesas de Jairinho e de Monique Medeiros é “criar o caos”.
“Monique é aquela pessoa que é narcisista, que quer sempre se dar bem, não importa o que custar, e nesse caso custou a vida do filho. O Jairo, na minha opinião, é uma pessoa com vários traços psicopáticos. Desde o início, a estratégia das defesas é criar o caos nesse processo.” – Promotor Fabio Vieira, em entrevista ao Fantástico
Os advogados de Jairinho tentarão atribuir a morte a um acidente enquanto o menino estava sob os cuidados do pai, Leniel Borel. A defesa alega que a polícia ignorou a hipótese de um acidente enquanto o menino estava com o pai e aponta supostos erros na perícia. “Não foi feita uma investigação adequada para saber o que pode ter ocorrido até 72 horas antes do fato. Será que ele foi ao parquinho e acabou caindo de algum brinquedo?”, questiona o advogado do ex-vereador, Rodrigo Faucz.
A Promotoria descarta hipótese de acidente. “Zero possibilidade. O laudo diz que ele tem uma laceração no fígado. O que ficou muito claro é que aquele menino foi agredido”, disse Vieira. Já o advogado de Leniel, Cristiano Rocha, afirmou que “a ciência prova que Henry foi morto por Jairo”.
A defesa do ex-vereador também acusa Leniel de interferir nos laudos. Segundo os advogados, o documento do IML (Instituto Médico Legal) sobre a morte teve seis versões complementares e suposta pressão de Leniel. “Há uma manipulação clara. No mínimo, há ali um tráfico de influência naquele processo dentro do IML — tudo direcionado para incriminar o Jairinho”, afirma o advogado Fabiano Lopes. O promotor rebate e diz que o pai de Henry não tinha nenhum tipo de poder para isso.
A defesa de Monique, por sua vez, vai transferir a culpa para Jairinho. Ela nega a versão de que sabia das agressões sofridas pelo filho e vai afirmar aos jurados que o ex-vereador é o único responsável pela morte.
“A Monique precisou ser presa para enxergar e montar cada peça desse quebra-cabeças e chegar à conclusão que ela estava sendo manipulada por ele […] para que ela construísse algo no intuito de amenizar a responsabilidade do Jairo.” – Hugo Novais e Florence Rosa, advogada de Monique, ao Fantástico.
À época do crime, Jairinho e Monique apresentaram a mesma versão. Eles afirmaram que as lesões encontradas no laudo de exame de necropsia foram resultado de uma queda do menino de 4 anos da cama do casal.

Dr. Jairinho e Monique Medeiros em foto no sistema prisional – Imagem: Divulgação/Seap
Relembre o caso
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021. Segundo a polícia, a criança sofreu 23 lesões por “ação violenta”. A causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente, afirma o laudo.
No dia da morte, o menino foi levado pela mãe e por Jairinho ao hospital. Ambos alegaram que ele havia sofrido um acidente doméstico. Segundo o Ministério Público, porém, Henry foi morto por motivo torpe, já que Jairinho acreditava que o menino atrapalhava a relação do casal.
Jairinho está proibido de exercer a medicina desde junho de 2021. Em março de 2023, o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro), por decisão unânime, cassou o registro profissional dele, mas sua defesa recorreu ao CFM. Agora, com a decisão do Conselho Federal, que confirmou a posição do Cremerj, Jairinho não pode mais recorrer junto ao órgão que regula o exercício da profissão.
Justiça também cassou o mandato de Jairinho. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou, por unanimidade, recurso do ex-vereador para retomar seu mandato na Câmara fluminense. Ele foi cassado em 2021 por ‘quebra de decoro parlamentar’ acusado pela morte do enteado.
*Com informações: uol




