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Neymar pode resultar em enrosco para Ancelotti

Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Os risos fizeram supor uma resposta engraçada, pronta para tirar o peso de chumbo do ar, mas não. O treinador Carlo Ancelotti foi malcriado, tentando ser brincalhão, ao responder à pergunta de um jornalista que queria saber o que o país inteiro tinha como dúvida: ele levaria Ney­mar para a Copa se soubesse da contusão na panturrilha da perna direita do atacante do Santos antes da convocação?

Assim, com ironia: “Sabe como se diz na Itália? Se minha avó tivesse rodas, ela seria um carro”. Foi um tantinho grosseiro e contraditório. O técnico, desde que desembarcou no Rio há um ano, contratado pela CBF, e sem ter listado o craque de 34 anos uma única vez, sempre usou o “se”, a conjunção subordinativa condicional, para tratar do atleta, indo direto ao ponto: ele só estaria no time com 100% de condições físicas.

Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Não é o caso, e em hipótese otimista Neymar estaria pronto para entrar em campo apenas na partida contra o Haiti, a segunda, marcada para 19 de junho, na Filadélfia. Ele sentiu a musculatura em 17 de maio, contra o Coritiba. Há tempo, sem dúvida — mas é estranho que Ancelotti tenha no grupo um jogador sem condições de entrar no gramado nem mesmo para treinos. E dá-se, de modo inapelável, se não o pior dos mundos, um mundo estranho.

Neymar é como um bode na sala, difícil de ser tirado. É assunto obrigatório, esteja em campo, esteja fora dele. E dá-lhe outra postura torta de Ancelotti, que bateu bumbo na defesa de um grupo sem estrelas e cedeu ao rei sol. Sim, Neymar é querido pelos companheiros, é admirado por boa parte da torcida e pela unanimidade dos adversários — e não se deve desdenhar o que houve no domingo 31, no Maracanã, na vitória de 6 a 2 contra o fraquíssimo Panamá.

Neymar esteve ao lado dos brasileiros que entraram na partida e dos que estavam no banco de reservas como se fosse amigo de infância da turma toda. Neymar foi aplaudido pela arquibancada. Neymar tirou foto com todos — todos! — os panamenhos. Tudo muito simpático, tudo muito bacana, no lugar certo. Mas basta? Talvez não, porque recuperado o camisa 10 vai querer brigar por posição, e sai da frente.

*Com informações: Veja

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