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Governo Trump revoga visto de embaixadora brasileira nos EUA

Foto: Divulgação

Os Estados Unidos anunciaram hoje ter revogado o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A informação foi repassada hoje por um alto funcionário do Departamento de Estado, segundo a agência de notícias Reuters.

Decisão é uma retaliação devido à recusa do Brasil em conceder a aprovação diplomática formal ao embaixador Daniel Perez, indicado pelo governo Trump para atuar em Brasília. Também é retaliação à recusa de conceder vistos a vários diplomatas americanos. No mês passado, dois diplomatas que buscavam visitar o país antes das eleições foram barrados.

Departamento de Estado disse que a medida é uma resposta recíproca às ações do Brasil. Segundo a pasta, a ação foi adiada por diversas vezes para dar espaço para o presidente Lula (PT) recuar nas medidas, o que não aconteceu.

O visto de Viotti apenas será restabelecido quando a situação for resolvida, declarou o funcionário, que conversou com repórteres sob anonimato. “Reciprocidade é a palavra-chave”, acrescentou.

Segundo a AP, outra fonte declarou que Viotti não será expulsa dos Estados Unidos, apesar da revogação de seu visto. Ela poderá ficar no país enquanto aguarda a resolução do impasse diplomático, acrescentou o alto funcionário por teleconferência.

As atividades oficiais da brasileira poderão ser retomadas se o Brasil aceitar a indicação de Daniel Perez para o cargo em Brasília. Todavia, a fonte apontou que o Brasil não deve decidir antes das eleições de outubro.

Daniel Perez tem 39 anos e preside a Câmara dos Deputados da Flórida desde 2024. Republicano como Trump, ele é filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e se mudou para a Flórida com a família ainda criança, em 1993.

A embaixada dos EUA no Brasil está sem titular desde janeiro de 2025. Até então, quem ocupava o cargo era Elizabeth Frawley Bagley, que foi indicada por Joe Biden.

Governo brasileiro repudia decisão dos EUA

Em nota na noite de hoje, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) declarou que as duas justificativas apresentadas pelos EUA são “falsas”. O governo brasileiro afirmou que o processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria ser divulgado depois de concedida a anuência, conforme a Convenção de Viena. Eles declararam que os EUA anunciaram publicamente o nome do seu candidato antes de apresentar pedido formal ao Brasil.

Brasil declarou que o pedido norte-americano está em análise, acrescentando que o país segue o direito internacional. “Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément.”

Secom também argumentou que os dois funcionários dos EUA que tiveram os vistos negados planejavam visitar o Brasil para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral. A ação, segundo o governo, é uma “tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional”, recordando que seguem em vigor as sanções individuais sobre autoridades brasileiras com base em alegação “infundada” de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Governo brasileiro alega não ter poupado esforços para resolver as diferenças com os EUA. Como exemplo, citou a visita de Lula a Washington em maio, acrescentando que o petista, entre outros assuntos, pediu a Trump o levantamento das sanções individuais.

“A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo. Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente. Em linha com sua tradição diplomática, o governo brasileiro se opõe à lógica de confrontação e reitera a defesa do diálogo e da negociação em todas as suas relações internacionais.”
– Secom, em nota

Quem é a embaixadora

Maria Luiza Ribeiro Viotti apresentou suas credenciais ao presidente dos EUA, à época o democrata Joe Biden, em 30 de junho de 2023. Segundo o site do Ministério das Relações Exteriores, antes de assumir suas funções em Washington, Viotti atuou como chefe de gabinete do secretário-geral das Nações Unidas (2017-2021), foi subsecretária-geral para Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores (2016) e embaixadora do Brasil na Alemanha (2013-2016).

A brasileira atuou diversas vezes na Missão do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York. Ela também foi representante permanente junto à ONU entre 2007 e 2013. “Durante sua gestão, chefiou a delegação brasileira no Conselho de Segurança da ONU (2010-2011) e presidiu o Conselho em fevereiro de 2011”, acrescentou o ministério.

Ao longo da carreira, Viotti trabalhou, tanto em Brasília como no exterior, com a temática multilateral e temas políticos, promoção comercial, imprensa e cooperação regional. Ela ainda foi conselheira da Embaixada do Brasil em La Paz (1993-1996).

Viotti é bacharel em economia e entrou para o Serviço Exterior Brasileiro em 1976 após se formar no Instituto Rio Branco. Ela é casada e tem um filho.

Brasil barrou dois funcionários dos EUA

O Brasil recusou pedidos de visto para dois funcionários do governo Trump que planejavam viajar ao país. A dupla pretendia colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, disseram à Reuters duas autoridades brasileiras, que falaram sob condição de anonimato, a par do assunto.

O plano dos Estados Unidos representava uma tentativa de influenciar a eleição presidencial de outubro. No pleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado de Trump.

O Brasil negou o pedido de vistos à delegação dos EUA. O grupo incluiria o secretário adjunto Riley M. Barnes, do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado, e também Samuel Samson, um subsecretário adjunto, disseram as autoridades brasileiras. A negativa baseou-se em “evidências que apontam para uma nova tentativa de explorar politicamente a situação e minar o sistema eleitoral”, disse uma das autoridades.

Em uma resposta enviada à Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado, disse, em condição de anonimato, que Barnes e Samson iriam a Brasília entre 27 e 30 de julho. Ambos iriam para encontros com representantes do governo, líderes religiosos e membros da sociedade civil para “discutir integridade das eleições, liberdade religiosa e liberdade de expressão”. “Qualquer insinuação de que se trataria de uma ‘manobra’ para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada. Trata-se de uma visita de rotina, em conformidade com o mandato estatutário do DRL”, acrescentou.

O plano dos EUA foi divulgado inicialmente pelo Washington Post e posteriormente confirmado pela Reuters. A suposta tentativa de interferir nas eleições brasileiras ocorre em um momento em que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, busca influenciar as disputas políticas em toda a América Latina.

*Com informações: Reuters

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