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Ex-presidente do Vila Nova é preso e liberado provisoriamente após acusação de injúria racial

Berto, atacante do Operário-PR, relatou caso de racismo no OBA — Foto: Guilherme Alves/O Popular

O ex-presidente do Vila Nova, Sebastião Geso Ramos de Oliveira, foi preso em flagrante e liberado após audiência de custódia na confusão que marcou o jogo do time goiano contra o Operário-PR, no último sábado, pela quinta rodada da Série B.

Em nota enviada à imprensa na tarde desta segunda-feira, Geso Oliveira negou as acusações, disse que se apresentou de forma espontânea e que foi vítima de “assassinato de reputação” (confira abaixo). O dirigente afirmou ainda que tomará as medidas cabíveis para se defender na Justiça.

Relembre o caso

O episódio ocorreu depois que o atacante Bertô, do Operário-PR, acusou um torcedor de chama-lo de “macaquinho”.

O Vila não revelou a identidade do homem, mas, segundo informações obtidas pela reportagem, seria um sócio-torcedor de nome Alessandro.

Revoltado, Berto discutiu com torcedores do Vila que na tribuna do estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), atrás dos bancos de reservas.

Em relação ao ex-presidente Geso Oliveira, o Vila informou que ele foi atingido por um objeto arremessado por Jhan Torres, jogador do Operário-PR, e revidou, acertando o rosto do presidente do clube paranaense, Álvaro Góes, com uma garrafa de isotônico no rosto.

Geso também foi acusado por jogadores e membros da comissão técnica do Operário-PR de fazer gestos racistas. O ex-presidente do Vila foi preso em flagrante e depois solto em liberdade provisória.

Com base na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), Geso Oliveira está proibido de frequentar arenas esportivas por três meses e também não pode aproximar-se delas num raio de 300 metros.

Após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público será acionado para manifestação.

Nesta segunda-feira, o Vila Nova emitiu nova nota oficial e afirmou que apura a ocorrência de “dois possíveis crimes de injúria racial e dois de lesão corporal leve durante o evento”. O clube ainda ressalta a rápida identificação dos envolvidos e a rápida intervenção em conjunto com a Polícia Militar.

Confira a nota completa do Vila Nova:

“O Vila Nova Futebol Clube esclarece e atualiza os episódios ocorridos após a partida contra o Operário-PR, pela Série B.

A instituição informa que apura-se a ocorrência de dois possíveis crimes de injúria racial e dois de lesão corporal leve durante o evento.

Cabe destacar que, em tempo recorde no futebol brasileiro para episódios dessa envergadura, o clube tomou todas as providências de identificação dos envolvidos e condução à delegacia.

Graças a essa rápida intervenção do clube em conjunto com a Polícia Militar, os autores de lesão corporal foram imediatamente conduzidos à delegacia. Sendo eles: um torcedor do Vila Nova, que praticou a lesão corporal em desfavor do presidente do Operário; e o jogador do Operário, que praticou a lesão corporal em desfavor desse mesmo torcedor do Vila Nova, com um objeto lançado do campo, uma garrafa com isotônico da equipe visitante, para fora do campo e retornado ao campo resultando na segunda lesão corporal leve. Em ambos, as respectivas vítimas procederam a representação criminal em desfavor dos autores para seguimento da persecução penal.

Em relação às denúncias de injúria racial, um dos supostos autores foi preso em flagrante e, após audiência de custódia neste domingo, responderá ao processo em liberdade, com medida cautelar de proibição de frequentar praças desportivas. O segundo indivíduo foi devidamente identificado e qualificado, logo após o fato, pelo Vila Nova Futebol Clube, através de seu sistema interno de segurança, e a Polícia Civil instaurou inquérito por portaria para investigar o caso.

Em âmbito administrativo, o Vila Nova Futebol Clube determinou a suspensão temporária do acesso ao clube dos dois torcedores acusados de injúria racial, que negam as acusações.

O clube confia nas autoridades policiais e no Poder Judiciário para a rigorosa apuração dos fatos, respeitando sempre o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Tão logo haja um desfecho judicial, o Vila Nova tomará as providências definitivas cabíveis, reiterando seu compromisso histórico com um ambiente esportivo pacífico e livre de qualquer tipo de preconceito”.

VILA NOVA FUTEBOL CLUBE

Confira a nota completa de Geso Oliveira:

“Sobre os fatos veiculados acerca do episódio ocorridos na noite de sábado (18/04), que culminaram na acusação de injúria racial por parte do jogador do Operário Ferroviário contra mim, venho trazer os esclarecimentos sobre a verdade.

Após o jogo Vila Nova e Operário Ferroviário, realizado no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga, houve uma confusão generalizada, iniciada em campo, entre os jogadores das duas equipes e, posteriormente, envolvendo torcedores que estavam sentados na tribuna de honra do Vila Nova, onde eu estava.

Na ocasião, o jogador do Operário conhecido como Berto lançou diversos objetos nos torcedores e policiais da tribuna, inclusive em minha direção, o que está gravado em imagens. Nesse momento, ao ver o representante da CBF em campo, próximo aos fatos, eu tentei indicar a ele qual era o jogador que estava cometendo as agressões. Como eu estava distante e não poderia ser ouvido, fiz um gesto ao representante da CBF de puxar o meu cabelo, para fazer referência à principal característica física do jogador que pudesse ser identificada de longe, que é o seu cabelo longo.

O gesto, que foi filmado e amplamente divulgado, posteriormente, já na delegacia, foi apontado pelo jogador como um ato de injúria racial.

Aqui, é importante destacar que, em nenhum momento antes do depoimento na delegacia, o jogador havia feito acusações contra mim. Ao contrário.

Antes disso, Berto me procurou para pedir desculpas pela grave agressão gratuita que sofri por parte do seu companheiro de time, que me acertou com uma garrafa arremessada do campo, que culminou num corte no meu lábio superior e a necessidade de quatro pontos para sutura. Em ato instintivo, arremessei de volta a garrafa para o campo.

Berto chegou a me presentear com sua própria camisa usada no jogo, na tentativa de se retratar pela confusão iniciada em campo. Nesse momento, o jogador me afirmou que não tinha quaisquer acusações de injúria racial contra mim. As acusações eram feitas contra um outro torcedor.

Tudo isso foi gravado pela própria Imprensa que cobria o jogo e foi divulgado em imagens nas redes sociais ainda na madrugada de sábado para domingo.

Após tais acontecimentos, me dirigi de forma espontânea à Central de Flagrantes da Polícia Civil de Goiânia, num ato de boa-fé, para ajudar no esclarecimento dos fatos e também para registrar um boletim de ocorrência da agressão que sofri. Mas me deparei com a mudança de afirmação do jogador, que passou a fazer acusações falsas contra mim, em depoimento à polícia.

Reforço e deixo público que, além da agressão física, fui vítima de uma clara tentativa de assassinato de reputação, a partir de denúncia caluniosa por parte do jogador do Operário Ferroviário.

Diante de tudo isso, tomarei todas as providências para me defender e administrar as consequências dessas afirmações falsas e caluniosas contra mim. Agirei de forma transparente e justa, mas firme, evidenciando sempre que nem agora ou em nenhum outro momento houve, de minha parte, qualquer ato de discriminação e/ou injúria de qualquer natureza para com outro indivíduo.

Creio na Justiça terrena que esclarecerá e atestará minha inocência, como creio na Justiça Divina, que fará prevalecer a verdade de forma absoluta”.

GESO OLIVEIRA

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