Justiça

Preso há 2 semanas MC Ryan SP é transferido para Penitenciária de Mirandópolis

MC Ryan SP foi transferido para Mirandópolis (SP) — Foto: Sérgio Cyrillo

O cantor MC Ryan SP foi transferido para a Penitenciária II de Mirandópolis (SP) na manhã de quinta-feira (30).

Ele havia sido preso no dia 15 de abril, durante uma megaoperação contra uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão, e estava em regime de reclusão no Centro de Detenção Provisória (CDP) Belémzinho, em São Paulo (SP). Ao todo, 36 pessoas são investigadas.

A prisão de Ryan foi feita em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista. Na ocasião, o cantor MC Poze do Rodo e os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, também foram presos, além de outros produtores de conteúdo.

Segundo a investigação, o grupo criminoso utilizou a indústria audiovisual e o showbusiness digital unindo o tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais à imagem de influenciadores de massa.

Após cerca de uma semana das prisões do funkeiro e dos demais alvos da operação, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus para o grupo. No entanto, no mesmo dia, a 5ª Vara da Justiça Federal em Santos decretou a prisão preventiva deles depois da solicitação da PF.

Segundo a instituição, a medida cautelar é necessária para garantir a ordem pública diante da gravidade do caso e do volume de recursos envolvidos. A PF também apontou risco de continuidade das atividades criminosas, além da possibilidade de interferência nas investigações, com destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.

Na época, a defesa de MC Ryan SP comentou a solicitação da PF de mais tempo de prisão nas redes sociais e disse que “causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido”.

“Se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno? Espera a defesa que a medida seja indeferida e a decisão do Superior Tribunal de Justiça efetivamente cumprida”, escreveu.

Operação Narco Fluxo

A Operação Narco Fluxo foi resultado de uma investigação que começou muito antes dos mandados de busca e prisão.

Segundo a Polícia Federal, o ponto de partida foi a análise de arquivos armazenados no iCloud, sistema de armazenamento em nuvem da Apple, do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante uma operação anterior, a Narco Bet, que era derivada da Operação Narco Vela, ambas deflagradas em 2025.

Da esquerda para a direita, MC Ryan SP, Poze do Rodo e Rodrigo Morgado — Foto: Reprodução/YouTube e Instagram

Da esquerda para a direita, MC Ryan SP, Poze do Rodo e Rodrigo Morgado — Foto: Reprodução/YouTube e Instagram

A investigação atual nasceu de provas reunidas durante a Operação Narco Bet, de outubro de 2025, instaurada após a Narco Vela, de abril do mesmo ano. As operações apuravam lavagem de dinheiro ligada a apostas, tráfico internacional de drogas, grandes quantias em espécie, transferências bancárias e criptoativos.

Segundo a decisão judicial, o núcleo de inteligência da PF analisou arquivos do iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, identificado como contador e operador financeiro do grupo.

A partir disso, os investigadores encontraram indícios de uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais, com agentes responsáveis pela captação, internalização, custódia e redistribuição de dinheiro em espécie.

A Operação Narco Fluxo, deflagrada em 15 de abril pela Polícia Federal, cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens em diversos estados.

Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, “laranjas” e transações financeiras irregulares.

Colar com imagem de Pablo Escobar e armas foram apreendidos pela PF contra MC Ryan SP e MC Poze do Rodo — Foto: Divulgação/PF

Colar com imagem de Pablo Escobar e armas foram apreendidos pela PF contra MC Ryan SP e MC Poze do Rodo — Foto: Divulgação/PF

Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Policiais também encontraram armas e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar em um mapa do estado de São Paulo.

No total, 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão foram cumpridos em oito estados e no Distrito Federal.

A investigação segue em andamento, e a PF não descartou novas fases da operação.

Qual seria o papel de MC Ryan SP no esquema?

Segundo a decisão judicial, MC Ryan SP foi identificado como líder e principal beneficiário econômico da engrenagem.

A PF afirma que ele usava empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos de apostas ilegais e rifas digitais.

Ainda segundo a investigação, Ryan teria montado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias para familiares e terceiros, além de usar operadores financeiros para afastar o dinheiro ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal.

Segundo a PF, os recursos eram reinvestidos em imóveis, carros de luxo, joias e outros ativos de alto valor. A Justiça autorizou a apreensão de dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil, joias, relógios, carros, motos, embarcações, aeronaves e outros itens de luxo encontrados com os investigados.

Qual seria o papel de MC Poze do Rodo no esquema?

Segundo a decisão judicial, Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, nome de registro de MC Poze do Rodo, aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos oriundos de rifas digitais e apostas ilegais.

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