Justiça

Tenente-coronel sustenta suicídio de esposa PM em audiência de custódia

O tenente-coronel Geraldo Neto durante audiência de custódia em SP – Foto: Reprodução

No mesmo dia que foi preso, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto passou por audiência de custódia em que voltou a afirmar que a PM Gisele Alves cometeu suicídio e relatou como foi sua prisão: “constrangimento”.

A audiência de custódia do tenente-coronel foi registrada em vídeo, horas após sua prisão. Ele está preso desde quarta-feira, quando foi decretada sua detenção preventiva e virou réu por feminicídio contra a esposa.

Durante a audiência, obtida pelo colunista do UOL Josmar Jozino, ele descreveu como foi sua prisão e voltou a frisar que a PM se suicidou. A audiência, neste caso tocada pelo Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, é praxe na Justiça brasileira e acontece para checar as condições do preso durante o cumprimento do mandado e eventuais irregularidades.

Após depoimento do réu, foi entendido que a prisão ocorreu de maneira legal. Preso no Presídio Militar Romão Gomes com trajes tradicionais do sistema penal paulista, calça caqui e camisa amarela, ele relatou que a ação dos policiais envolvidos em sua prisão foi “cordial”.

Rosa Neto disse que ficou “constrangido” com a presença da imprensa após sua prisão. Ao ser questionado se tinha alguma reclamação por sua prisão, ele respondeu:

“Quanto aos policiais, não. Foi um tratamento educado e cordial. Somente contra a imprensa, que eu estava me sentindo constrangido em relação a quantidade de repórteres na delegacia, na corregedoria.” – Geraldo Leite Rosa Neto, ao TJM.

Questionado sobre a apreensão de armas consigo, ele negou e mencionou apenas o artefato que causou a morte de Gisele. Destacando que a esposa teria cometido um suicídio, ele confirmou que a arma foi apreendida no dia da ocorrência, uma pistola calibre ponto 40.

“Minha esposa cometeu suicídio. Ela se suicidou com a minha arma, no meu apartamento, no Brás”
Geraldo Leite Rosa Neto, ao TJM

Outro tópico abordado durante audiência foi o uso de medicamentos. O réu pela morte da PM Gisele relatou que faz uso de medicamento para controlar pressão alta.

“Quando eu fico muito estressado, nervoso, sobe minha pressão e preciso tomar um captopril. “
Geraldo Leite Rosa Neto, ao TJM.

O caso

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital. A morte dela foi constatada às 12h04 do mesmo dia.

Em depoimento, Geraldo afirmou que, no dia dos fatos, se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma “exaltada”, mandou ele sair do quarto e bateu a porta.

Um minuto após entrar no banho, o tenente-coronel declarou ter ouvido um barulho, que pensava ser uma porta batendo. Mas, ao abrir a porta, se deparou com Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo. Ele disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para um amigo que é desembargador.

Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Geraldo era “extremamente conturbado”. Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas o registro foi alterado pela Polícia Civil para “morte suspeita” após depoimento da mãe da vítima. A ocorrência é investigada pelo 8º Distrito Policial (Brás) e pela Corregedoria da Polícia Militar.

*Com informações: uol

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