Prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP, foi embasada em 13 pontos

Coronel Geraldo Neto (ao centro) é preso pela Corregedoria da PM por suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves – Imagem: Reprodução/TV Globo
O tenete-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18), em São José dos Campos, no interior de São Paulo, suspeito de matar a esposa, a soldada Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado, no apartamento do casal.
A prisão aconteceu exatamente um mês após a ocorrência. O oficial foi indiciado por feminicídio e fraude processual após as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.
Inicialmente tratada como suicídio, a versão foi descartada pela investigação. A perícia conseguiu extrair do celular de Neto mensagens em que Gisele afirma que era submetida a episódios de humilhação por parte do marido.
A Polícia Técnico-Científica produziu mais de 20 laudos periciais em menos de um mês. Os resultados embasaram o pedido de prisão ao indicar que Gisele foi assassinada.
1) O disparo foi feito de baixo para cima, com o cano da arma encostado na cabeça
2) Não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos de Gisele nem nas de Geraldo Neto
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/F/v/nDBtyiTtGM4ECVZAD9Nw/screenshot-2026-03-18-at-14-25-09-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
3) A posição em que Gisele foi encontrada (caída e segurando a arma) é considerada incomum em casos de suicídio — o mais provável seria que a arma fosse solta após o disparo
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Y/D/KW7ymCSd6moKoLC6AYFA/screenshot-2026-03-18-at-14-14-15-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Posição do corpo de Gisele na cena do crime — Foto: Reprodução
4) Gisele estaria na sala, de costas para a varanda, quando foi abordada por trás: o tenente-coronel teria imobilizado o rosto dela com a mão esquerda e apontado a arma com a direita
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/K/k/WRHcFPSo6iTR28qcoRsQ/screenshot-2026-03-18-at-13-28-23-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
5) A vítima tentou desviar a cabeça para a esquerda: o movimento de defesa deixou marcas de unhas e dedos no rosto. O disparo ocorreu nesse momento, e o sangue atingiu o vidro da varanda e a parede, formando uma “área de sombra” compatível com a mão do atirador
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/V/l/eN3BSkRiKJjsGA5faIYQ/screenshot-2026-03-18-at-14-29-01-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
6) O sangue escorreu pelo ombro de Gisele e mudou de direção quando o corpo foi colocado no chão, passando a atingir a região do peito
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/B/o/nBE7NfStCLnTuzAQCk8A/screenshot-2026-03-18-at-13-29-03-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
7) Já com a vítima no chão, o tenente-coronel teria colocado a arma na mão direita dela e soltado sobre a poça de sangue, e o impacto provocou respingos no rack da sala
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/t/q/h1tqmlTl2qFJ14wAyfUw/screenshot-2026-03-18-at-13-28-40-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
8) O laudo apontou a presença de vestígios de sangue na bermuda usada por Neto no dia da morte da PM. Após a aplicação de reagente químico, houve reação positiva, em padrão compatível com gotejamento, indicando possível contato com sangue
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/K/s/n0FXtIT5SI4PYZgUbOqg/screenshot-2026-03-18-at-13-56-04-secretaria-de-estado-dos-negocios-da-seguranca-publica-2026.03.17-representacao-tc-neto-final-assinado.pdf.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
9) O pedido de socorro à Polícia Militar foi feito 29 minutos após uma vizinha relatar ter ouvido o disparo
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/X/l/uqjV9MTSKsbzV5HJnOUw/screenshot-2026-03-18-at-14-46-07-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
10) Em depoimento, Neto disse que estava no banho no momento do tiro, mas foi encontrado com o corpo seco pelos socorristas. Depois, tomou banho novamente, mesmo após orientação contrária de policiais. Antes disso, ele ligou para um desembargador amigo, que foi até o prédio
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/T/P/xGIPlMSlyncL4M4yNUlQ/screenshot-2026-03-18-at-14-47-32-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
11) Exames com luminol detectaram sangue de Gisele no box do banheiro e em outros cômodos do apartamento
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/L/N/xjVykxTnyk8sGeoJT51A/screenshot-2026-03-18-at-14-48-51-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
12) Após a perícia, três PMs mulheres foram ao imóvel para fazer a limpeza; a conduta levou à abertura de investigação por abuso de autoridade
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/I/x/mqehksS6Ozb5yqeaFrKA/screenshot-2026-03-18-at-14-50-41-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.jpg)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
13) Exame necroscópico indicou que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/s/T/lAOglCSSCWxeuGGpKdbw/screenshot-2026-03-18-at-14-16-02-3-globo-sp-trim-grabyo-studio.png)
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP — Foto: Reprodução
A defesa de Geraldo Neto afirmou que a prisão é ilegal. Sem entrar no mérito das acusações, os advogados alegam que a Justiça Militar não tem competência para determinar medidas invasivas como a prisão, que, segundo eles, deveria ser decretada pela Justiça comum.
Tenente-coronel humilhava
A Corregedoria da Polícia Militar conseguiu extrair do celular do tenente-coronel Geraldo Neto troca de mensagens entre ele e a esposa, a PM Gisele Alves Santana, morta com uum tiro na cabeça no apartamento onde viviam, no Centro de São Paulo.
Nas conversas com o marido obtidas pelo SP1, da TV Globo, Gisele afirma que era submetida a episódios de humilhação, piadas e comportamento “babaca” por parte do marido, até no ambiente de trabalho na Polícia Militar, onde ele aparecia na seção onde ela trabalhava e ficava horas observando o trabalho dela.
Em um dos diálogos, ela escreve que Geraldo Neto teria que mudar o comportamento “babaca” e “sem escrúpulos”.
“Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento. Falando coisas para me humilhar, para me provocar”, escreveu a PM, morta com um tiro na cabeça.
“Se você quer separar, vamos separar. Mas, se você continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido, ignorante, intolerante e sem escrúpulos. Estou deixando bem claro para você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca”, afirmou.
Gisele Alves Santana também reclamou: “Toda hora jogando piada, me chamando de burra, mandando arrumar um soldado. O que a função tem a ver com relacionamentos?”, disse.
Em outras mensagens, segundo a investigação, Geraldo Neto faz declarações machistas contra a esposa: “Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho”, declarou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/i/j/9e2JjBSIeODapbpt2Mcg/fotojet-29-.jpg)
A PM Gisele Alves Santana e o tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de assassinar a mulher no apartamento onde eles viviam, no Centro de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo
*Com informações: g1




