Por que presos famosos estão pedindo para deixar o presídio dos famosos?

Na foto, da esquerda para direita: Thiago Brennand, Robinho, Ronnie Lessa, Walter Delgatti e Fernando Sastre – Imagem: Reprodução/Facebook/TV Globo/TJRJ/Lula Marques-Agência Brasil/Record
No fim do ano passado, cinco detentos envolvidos em crimes de grande repercussão nacional foram transferidos da Penitenciária II de Tremembé, em São Paulo. Conhecida como o “presídio dos famosos”, a unidade realizou essas mudanças pouco depois do lançamento da série homônima no Prime Video, que dramatizou alguns desses casos já amplamente conhecidos e colocou o presídio em maior evidência.
A penitenciária ficou conhecida como o “presídio dos famosos” por abrigar presos envolvidos em crimes de grande repercussão. Entre os que passaram pela unidade estão os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, condenados pelo assassinato dos pais de Suzane von Richthofen; a própria Suzane; Elize Matsunaga, condenada por matar o marido; e Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha Isabella.
Atualmente, ainda cumprem pena no local outros presidiários conhecidos, como Roger Abdelmassih, ex-médico condenado por diversos estupros, e Lindemberg Alves Fernandes, condenado pelo sequestro e assassinato da ex-namorada Eloá Pimentel, crime que parou o Brasil em 2008.
No início de novembro, o empresário Thiago Brennand, condenado a mais de oito anos de prisão em regime fechado pelo crime de estupro, foi transferido para a Penitenciária I de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado, o pedido de transferência foi feito pelo próprio Brennand e por sua defesa. O empresário está detido desde 2023 e já passou pelo Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na capital paulista, antes de ser enviado ao Presídio Tremembé II, no interior do Estado, onde cumpria a pena até a recente mudança.

Empresário Thiago Brennand, condenado por estupro, que foi transferido de penitenciária em SP.
Imagem: @thiagobrennand via Facebook / Estadão
Também em novembro, o ex-jogador Robinho foi transferido da Penitenciária II de Tremembé para o Centro de Ressocialização de Limeira, no interior de São Paulo, após pedido da defesa do custodiado. A mudança ocorreu na manhã do dia 17, e foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
Ele está preso desde março de 2024 após ser condenado a 9 anos de reclusão por um estupro coletivo cometido e julgado na Itália. Robinho e outros cinco homens foram acusados de participar de um episódio de violência sexual contra uma mulher albanesa em Milão, quando ele ainda jogava pelo Milan. O crime aconteceu em uma boate em 2013.
Os advogados de Robinho solicitaram a transferência em meados de outubro, segundo informou O Globo. O jornal também antecipou a intenção, mantida de forma discreta pelo governo estadual, de promover a transferência de detentos de grande notoriedade para reduzir a imagem da unidade como o “presídio dos famosos”.
De acordo com o jornal, no caso de Robinho, apesar de manter uma rotina relativamente estável, o ex-jogador já havia confidenciado a funcionários do presídio o desejo de deixar Tremembé. Ele reclamava do excesso de atenção, dos boatos e da convivência forçada com outros detentos conhecidos. Na unidade, Robinho atuava como técnico e jogador do time formado por presos, o Tremembé Futebol Clube, que disputa partidas no campo de terra do presídio.
No mesmo mês, o ex-policial militar Ronnie Lessa, autor confesso dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, também deixou o presídio de Tremembé após alegar suspeita e temor de ser envenenado dentro da unidade. A transferência para a Penitenciária IV do Distrito Federal ocorreu no dia 22, após o quarto pedido apresentado pela defesa.

Ronnie Lessa – Imagem: Reprodução/TJRJ
Lessa havia sido enviado a Tremembé depois de firmar delação premiada no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, na qual apontou como mandantes do crime o conselheiro do TCE-RJ, Domingos Brazão, o ex-deputado Chiquinho Brazão e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa.
O hacker Walter Delgatti Neto também foi transferido da Penitenciária de Tremembé para uma unidade prisional em Potim, no Vale do Paraíba, em São Paulo. A informação foi confirmada pela Polícia Penal do Estado de São Paulo. Delgatti cumpre pena em regime fechado de oito anos e três meses por invadir, em 2023, os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a mando da ex-deputada Carla Zambelli, atualmente detida na Itália. Na ocasião, o hacker inseriu um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no sistema da Justiça.

Hacker Walter Delgatti Neto foi condenado por invasão do sistema do CNJ – Imagem: Lula Marques/Agência Brasil
Além disso, Fernando Sastre de Andrade Filho, motorista do Porsche azul que provocou um acidente em 31 de março de 2024 em São Paulo, que matou um homem e deixou outro ferido, também foi transferido para uma unidade prisional em Potim em 18 de dezembro de 2025. O empresário está preso desde maio de 2024, acusado de ter assumido o risco de matar Ornaldo da Silva Viana e de causar ferimentos graves em Marcus Vinicius Machado Rocha ao dirigir em alta velocidade alcoolizado.

O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi transferido para a Penitenciária 2 de Tremembé –
Imagem: Reprodução/TV Globo
Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou ao Terra que a unidade prisional opera dentro dos padrões de segurança e disciplina. De acordo com a SAP, as movimentações de custodiados são realizadas conforme o planejamento e os protocolos internos, que, por razões de segurança, não serão detalhados
*Com informações: terra




