Manifestantes fazem atos contra PL da Dosimetria

Foto: Fábio Vieira/Estadão
Manifestantes realizaram atos pelo país, neste domingo (14), contra a anistia a envolvidos no 8 de Janeiro e o projeto de lei que reduz o tempo de prisão de condenados por tentativa de golpe de Estado, o chamado “PL da Dosimetria”.
Houve manifestações em todas as capitais, de tamanhos diferentes. Em alguns locais, a mobilização começou pela manhã; em outros, à tarde, com caminhadas por avenidas importantes, apoio de carros de som, shows e faixas e cartazes com palavras de ordem e críticas ao Congresso Nacional.
Na capital paulista, a concentração ocorre em frente ao Masp, com a participação de lideranças políticas, e representantes de movimentos sociais.
O ato teve a participação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da Reoública, Guilherme Boulos. Em discurso, ele criticou a aprovação do PL da Dosimetria e afirmou que o texto funciona como uma “anistia envergonhada” aos envolvidos na tentativa de golpe e aos condenados da trama golpista.
Para o ministro, o projeto foi aprovado “na calada da noite” porque seus defensores não teriam força política para aprovar uma anistia “ampla, geral e irrestrita”.
Boulos afirmou que a mobilização tem como objetivo barrar qualquer forma de anistia e defendeu a manutenção das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal. “Golpista bom é golpista preso”, disse.

Foto: Fábio Vieira/Estadão
O ministro também vinculou a mobilização de rua à agenda do governo para 2026. Em sua avaliação, o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é avançar em pautas como o fim da escala 6×1, a ampliação de direitos trabalhistas e a taxação de bilionários e banqueiros.
Na mesma linha, a deputada federal Erika Hilton afirmou que a mobilização nas ruas é uma resposta direta às pautas recentes do Congresso, que classificou como desconectadas da vontade popular. Para a parlamentar, a anistia seria uma pauta de um grupo “minoritário e barulhento”, sem apoio da maioria da população. “O povo brasileiro não quer anistia”, disse.
Erika também criticou a atuação da Câmara dos Deputados no caso da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que anunciou neste domingo a renúncia ao mandato. Segundo ela, Zambelli teve uma postura mais “digna” do que a própria Casa ao abrir mão do cargo após a condenação.
“A Carla Zambelli teve a condição de ser mais digna do que o presidente da Câmara. A Carla Zambelli entendeu a sua condição de condenada num processo em trânsito julgado por perseguir armada um jovem, por tentar Invadir o sistema de injustiça e escreveu uma carta para pedir que não deveria mais continuar o seu mandato. Enquanto a Câmara dos Deputados, que deveria ter respeito às decisões judiciais e ao povo brasileiro, votou na calada da madrugada a permanência do mandato dela”, disse.
Entre faixas e cartazes levados pelos manifestantes, há críticas ao Congresso e ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de protestos contra a anistia e mensagens em apoio à condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão na ação penal sobre a tentativa de golpe.

Foto: Fábio Vieira/Estadão




