Caso Gritzbach: Júri é anulado após defesa de PMs abandonar plenário

Imagem: Reprodução / Domingo Espetacular
Após quase 9 horas, o júri popular dos três PMs acusados de matar o delator do PCC Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, em novembro de 2024, foi anulado. Ao todo, sete de 21 testemunhas já haviam sido ouvidas no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. Uma nova data ainda será marcada, sem previsão.
O júri foi anulado após a defesa dos três policiais militares deixar o plenário. Os defensores, todavia, não abandonaram as defesas dos clientes. “Por conta da posição da defesa, fica prejudicado o trabalho que começaria hoje. Iremos designar uma nova data”, declarou o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo. Todos os depoimentos desta segunda serão desconsiderados e devem ser realizados novamente no novo julgamento.
O advogado dos réus, Cláudio Dalledone, afirmou que o juiz determinou o não prosseguimento da sessão de julgamento após uma “atitude tresloucada”, do promotor Rodrigo Merli. Dalledone declarou que o promotor é “sem educação e alguém que precisa ser parado e sem limites”, acusando-o de atacar um dos membros da banca de defesa. O defensor também informou que entrará com uma representação contra Merli e voltou a defender a inocência dos clientes.
Promotor declarou que a defesa fez aquilo que ela “está acostumada a fazer” e chamou os advogados de “bons de mídia”. “Na hora de discutir a causa sempre abandonam [o júri] tentando colocar a culpa no Ministério Público e Justiça Pública para tentar eventual soltura dos réus”, disse Merli.
Merli negou ter atacado um membro da banca de defesa. “Nós apenas estávamos conseguindo demonstrar para os jurados que, mais uma vez, a defesa cria narrativas para colocar bandidos, travestidos de policiais, nas ruas.” Ele acrescentou afirmando que quase foi agredido por oito advogados dentro do plenário: “Quando viram que tudo iria ruir, a aposta é sair para que um novo Conselho de Sentença seja formado”.
“Nas redes sociais, nas mídias, na imprensa parecem leões, mas, na verdade, não passam de gatinhos que, mais uma vez, fugiram do embate com a Justiça Pública.” – Rodrigo Merli, promotor do MPSP
Familiares do motorista de aplicativo morto no ataque a Gritzbach acusaram os defensores dos PMs de agirem visando cancelar o julgamento. “Não é justo. Estou há dois anos esperando por Justiça. Vocês têm que voltar para a faculdade, seus atores. Eles estavam lá dentro dando um show”, gritou a esposa de Celso Araújo Sampaio Novaes, se referindo aos advogados de defesa do PM.
“Eu estou sentindo tudo de novo. Veio tudo à tona novamente na hora que o juiz falou que ia cancelar o julgamento para ter uma nova data ainda. Pra quê isso? Só eu sei a luta que eu estou vivendo dentro casa com três filhos. Meu filho está doente. Eu não tenho apoio, não tenho nada. Só eu sei o que estou passando.” – Esposa de Celso.
Mãe de Celso disse que a nora está passando dificuldades financeiras, já que era o filho que ajudava toda a família. Aparecida Camilo, 65, classificou o episódio como um absurdo e estratégia dos defensores dos PMs. “Meu filho não volta mais, mas nós estamos aqui para lutar pela morte dele”, falou, aos prantos.
*Com informações: uol




