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Brasil paralisa aplicação de vacina do Butantan contra dengue

Imagem: Divulgação/Instituto Butantan

O Ministério da Saúde anunciou hoje que paralisou temporariamente a aplicação da vacina do Instituto Butantan contra a dengue devido a efeitos adversos que estão sob investigação.

Foram registrados 42 episódios de reação mais severas. Algumas foram “absolutamente inesperadas”, segundo o governo. Entre as 500 mil doses aplicadas, houve três casos considerados mais graves. O ministério afirma que ainda não há dados suficientes para vincular à vacinação, por isso vai ser intensificada a investigação, com a ajuda do Butantan.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a taxa de reação adversa corresponde a 0,7% do total vacinado. Os casos com sinais de alarme, que levaram à suspensão, são 0,008% das pessoas imunizadas. Eles desenvolveram sintomas similares aos da dengue.

Segundo o ministério, uma mulher de 48 anos morreu após desenvolver dengue grave com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias depois da vacinação. O outro óbito foi de um homem de 58 anos que apresentou quadro febril cinco dias após receber a dose e evoluiu rapidamente para dengue grave, com choque refratário. As duas mortes aconteceram entre março e abril.

Terceiro caso envolveu uma mulher de 39 anos que precisou de UTI. Ela apresentou febre, dor muscular e náuseas seis dias após a vacinação, evoluindo para dengue grave com choque. A paciente recebeu alta.

Vacinados recentemente devem ser monitorados pelos próximos dias. Quem tiver tomado esse imunizante nos últimos 21 dias deve acompanhar a evolução do quadro. Investigação vai envolver o instituto, Anvisa, Ministério da Saúde e rede de saúde.

Ministério fala que adota precaução. Essa vacina estava sendo usada para imunizar os profissionais de atenção primária de saúde em todo o país, além de ser distribuída em Nova Lima (MG), Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).

Prazo de suspensão não foi determinado. Ministério fala que o tempo de apuração vai ser “o mais rápido possível”, mas evitou dar uma data porque ressaltou ser importante chegar às respostas.

Padilha reforça confiança na vacina. O ministro Alexandre Padilha afirmou que a decisão segue a lógica de segurança do sistema de vigilância e que a população deve manter a tranquilidade em relação aos já vacinados: “A descontinuidade tem um objetivo. Primeiro, é a ação de precaução, que deve sempre guiar quem respeita a vida, quem respeita a ciência, ainda mais quando a gente está falando de vacinação”.

Ministério destaca monitoramento contínuo para identificar reações adversas raras. Segundo Padilha, o sistema de farmacovigilância permite detectar eventos inesperados após a aplicação das doses e foi esse acompanhamento que embasou a decisão de interromper temporariamente a estratégia para aprofundar as investigações.

Governo salienta que proteção contra dengue não foi afetada. Decisão de suspensão busca encontrar fatores de risco e situações que aumentem problemas para quem tomou a vacina.

Febre, dor abdominal intensa e contínua, sangramentos e sonolência intensa são sintomas a serem observados nos imunizados. A recomendação é procurar auxílio médico se esses sinais aparecerem e forem persistentes. Além disso, deve ser monitorado quem apresentar tontura, piora do estado geral, irritabilidade, vômitos e desidratação.

Governo aponta redução de mortes devido à vacinação. Foram 178 mortes neste ano, até 30 de maio, em comparação com 2025, que teve 1.791 óbitos. Uma redução de 97%. Entre os casos, houve diminuição de 92% nesses cinco primeiros meses do ano.

Doses vão ficar refrigeradas e guardadas. A recomendação do ministério é que as doses sigam armazenadas em local refrigerado pelas secretarias locais de saúde.

Instituto diz, em nota, que vai fazer novos estudos e acompanhar casos. “O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados”, afirma o instituto.

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