Megaoperação no Rio de Janeiro deixa mais de 130 mortos e expõeo abismo da segurança pública no país

Eram pouco mais de 4h30 da manhã quando os moradores do Complexo do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, despertaram com o som de helicópteros e rajadas de fuzil. O barulho de tiros se estendeu por horas, intercalado com explosões, sirenes e gritos.
A Operação Contenção, como foi batizada pelo Governo do Estado, mobilizou mais de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, além de blindados e drones de reconhecimento. O objetivo oficial: cumprir 110 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV), apontados como responsáveis pelo controle territorial de várias comunidades da capital e da Baixada Fluminense.
Ao fim de dois dias de confrontos, o cenário nas ruas lembrava o de um campo de batalha. Carros incendiados, corpos espalhados, escolas e postos de saúde fechados, e centenas de famílias acuadas em suas casas.
De acordo com balanço consolidado de fontes oficiais e órgãos independentes, a ação resultou no saldo de 132 mortos, segundo da Defensoria Pública, 81 presos, apreensão de 93 fuzis, 2 pistolas e 9 motos — número que faz da operação a mais letal da história do Brasil.
A operação e a
justificativa do governo
Segundo o governador Carlos Menezes (nome fictício), a ação foi “inevitável” e “estratégica” para conter o avanço das facções. Em coletiva à imprensa, ele afirmou que o Rio “não pode mais ser refém de criminosos que ditam as regras em comunidades inteiras”.
“Agimos dentro da legalidade e com base em investigações de inteligência. Nossa prioridade é a vida do cidadão de bem, e não a impunidade”, declarou o governador, ao lado do secretário de segurança pública, Cel. Rodrigo Pires.
Fontes da Polícia Civil afirmam que as investigações duraram mais de seis meses, envolvendo interceptações telefônicas e cooperação com o Ministério Público.
A operação visava desmantelar um núcleo de comando do CV que teria expandido o tráfico para áreas antes dominadas por milícias e outras facções rivais.
Mortes em massa e
denúncias de execuções
No entanto, as imagens que circularam nas redes sociais e em veículos internacionais mostraram uma realidade bem mais sombria.
Vídeos de moradores exibiam corpos amontoados em vielas e calçadas, muitos deles com as mãos amarradas, o que levantou suspeitas de execuções sumárias.
Helicópteros sobrevoavam a área atirando, enquanto blindados tentavam avançar por ruas estreitas repletas de barricadas de concreto e fogo.
“Eu estava em casa com meus filhos pequenos. As balas atravessavam as paredes. A gente só rezava para amanhecer viva”, contou Jéssica dos Santos, moradora do Complexo do Alemão há 15 anos.
“Depois do tiroteio, vi pelo beco corpos jogados no chão. Ninguém pôde socorrer.” Moradores relataram ainda que corpos foram recolhidos por caminhões sem identificação, antes mesmo da chegada de peritos.
A Defensoria Pública do Estado e a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ informaram ter recebido dezenas de denúncias de abusos e desaparecimentos.

